Medicina de Precisão
O seu caso, não o caso médio.
Diretrizes e estudos descrevem o que funciona em média. Você não é a média. Medicina de precisão é usar o máximo de informação sobre você para escolher o tratamento com mais chance de ajudar e menos chance de fazer mal.
Como ela funciona na prática
A precisão começa na consulta, e não no laboratório. Uma boa avaliação escuta a história completa, examina, usa questionários validados para dor, sono e humor e revisa tudo o que já foi tentado. Com isso, procura identificar o mecanismo que predomina na dor — o que a medicina chama de fenotipagem da dor.
Só depois, quando a resposta muda a decisão, entram exames de genética e de metabolismo. Exame que não muda conduta não entra no plano.
Precisão também é saber o que não fazer
Uma parte importante do trabalho é evitar o que não vai ajudar: o procedimento repetido que já falhou duas vezes, o remédio que o seu organismo processa mal, o exame que só vai gerar ansiedade. Às vezes a decisão mais precisa é não intervir agora.
Mais de um caminho, decidido junto
Ao fim de uma boa avaliação, o paciente recebe opções escalonadas — da mais conservadora à mais avançada —, com o que se espera de cada uma, os riscos e os limites. A escolha é feita junto com ele.
O que medicina de precisão não é
Não é pacote de exames caros para todo mundo. Não é promessa de tratamento perfeito. E não substitui o básico: sono, movimento e cuidado com o corpo continuam sendo a base de qualquer plano.
De onde vem isto
Proposta do termo "dor nociplástica", o terceiro mecanismo.
Kosek E, Cohen M, Baron R, Gebhart GF, Mico JA, Rice ASC, et al. Do we need a third mechanistic descriptor for chronic pain states? Pain. 2016;157(7):1382-1386. doi:10.1097/j.pain.0000000000000507
Diretriz CPIC de farmacogenética para codeína, tramadol, COMT e OPRM1.
Crews KR, Monte AA, Huddart R, Caudle KE, Kharasch ED, Gaedigk A, et al. Clinical Pharmacogenetics Implementation Consortium Guideline for CYP2D6, OPRM1, and COMT Genotypes and Select Opioid Therapy. Clin Pharmacol Ther. 2021;110(4):888-896. doi:10.1002/cpt.2149
Revisão sistemática dos remédios com evidência na dor neuropática.
Finnerup NB, Attal N, Haroutounian S, McNicol E, Baron R, Dworkin RH, et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults: a systematic review and meta-analysis. Lancet Neurol. 2015;14(2):162-73. doi:10.1016/S1474-4422(14)70251-0